Troncoman

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Sérgio Troncoso

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Guerra contra as drogas


A "guerra contra as drogas" é uma invenção dos grandes investidores da própria cadeia do negócio. A legalização do consumo e as políticas de redução de danos aplicadas pelo Estado, não por governos, são os únicos meios de impedir a lavagem de dinheiro e obrigação de pagamento de taxas de lucro. Enquanto isso não acontecer sempre haverá investidores entrando e saindo rapidamente desse mercado, ou seja, os helicocas seguirão impávidos.
Mas não é só isso, os que detêm o poder planetário verdadeiro contam com a lógica de seu braço político na grande imprensa, escondendo do “cidadão comum” o que se passa de verdade. Fornecem toda uma "lógica" política e social distorcida da realidade. Por exemplo faze-lo admitir sem reclamar, da autorização do funcionamento de paraísos fiscais, da utilização do Estado pelo poder privado, com a subversão dos entes do Estado (políticos, juízes, policias) a lhes proporcionar os meios e lhes dar cobertura, o direito de herança algo fundamental para quem tem dinheiro de verdade (não me refiro aqui o direito de herdar moradia, algo básico e justo), etc. Por mais que isso aconteça na cara do tal "cidadão comum", ele segue acreditando no tal capitalismo competitivo e meritocrático, sistema que só existe para os pequenos, os que não tem acesso ao verdadeiro poder.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

A máquina de moer cérebros está onipresente

A máquina de moer cérebros está onipresente


É triste e estarrecedor sair de casa para frequentar salas de espera de consultórios e hospitais, ir a botecos, padarias e locais comerciais populares nos dias de hoje. Na imensa maioria de locais onde saímos fora de casa para nos "divertir", comprar algo ou cuidar de nossa saúde, há uma televisão ligada. Geralmente passando a programação da Rede Globo (as vezes das outras que apenas querem ser iguais a Globo). E o pior, segundo alguns proprietários que consultei, muitas vezes são os próprios clientes que pedem para que a TV ali esteja, dando diariamente a pauta sobre o que eles têm que se preocupar, desejar, pensar e acreditar. O povo não quer pensar, prefere o seu cérebro lavado pela agenda da elite ("aquilo que os homens de fato querem não é o conhecimento, mas a certeza", Bertrand Russel).
E claro, a agenda é monolítica sob o ponto de vista político econômico e socialmente excludente. Basta ver o quanto de pessoas acreditam sinceramente que o fato dos 1% mais ricos do planeta possuírem 90% da riqueza é algo fatalístico, ou pior, que a única alternativa a esse descalabro social seria um caos social maior. Esse "argumento" geralmente vem associado a alguma argumentação pseudocientífica mal ajambrada (a do "espantalho" referente ao comunismo real é muito usada). Rico agora nem precisa se defender, há toda uma geração na classe média comedora de migalhas iludida a defendê-los (pequena burguesia é um termo antigo, mas o tema segue atual).
Por outro lado, nos locais mais "chiques" e caros, onde frequenta a elite econômica, é raro assistirmos a lavagem de cérebros operando. Claro, a programação passa uns 75% do tempo mostrando o mundo que não presta, o mundo que não dá certo. Para que a elite vai ficar olhando aquilo se ela presta? A elite não odeia muito, esse sentimento ela terceiriza, ela prefere ficar socialmente auto segregada... E "feliz".
Antes eu saia de casa sem a preocupação de não ver TV, algo que sempre desejei e gostei, porque além de não ligar muito para a programação, é algo que na minha formação costumava ser algo "do lar". Lembro que principalmente nos locais de lazer, a "ponta de lança" da doutrinação foram os esportes. Realmente é legal ver o jogo do seu time bebendo uma cerveja com os amigos. Mas agora as TVs ficam ligadas o tempo todo, e o único lugar onde tenho a opção de não vê-las é em casa. Particularmente tenho evitado abrir uma breja gelada nos locais onde sem me pedir permissão, me põem esse mundinho pautado na cara. O problema é que está cada vez mais difícil encontrar um lugar "adequado", isso só é possível onde a conta é mais salgada, aí fica "difícil"...
Há uma clara tentativa de uniformização do pensamento da sociedade em andamento. E o pior é que ela se dá via influência do poder econômico mitigado nas decisões que seriam de caráter "individual", de forma sub reptícia, utilizando vias que em tese seriam democráticas, pois o argumento do tal controle remoto na mão dos indivíduos, sempre está à mão. Mas eu não duvido, tenho certeza que a decisão mental está na deles, não na do povão...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Os erros e o começo de uma discussão sobre o futuro do PT

Os erros e o começo de uma discussão sobre o futuro do PT

Há por aqui muitos textos exculpatórios do partido e suas ações, muitos deles com argumentos sólidos. Já o objetivo deste texto é colocar o dedo nas feridas.
Após o surgimento do mensalão, um caixa 2 partidário transformado pela mídia em roubo pessoal e enriquecimento ilícito de políticos do PT (o caso do Genoíno é emblemático e logo se constatou que contra a sanha da ignorância e do preconceito nenhum argumento adianta), muitos já alertavam que o "jogo" seria pesadíssimo, mas elegemos o PT para transformar as instituições políticas e as relações de poder. 
Os compromissos mínimos ao atingir o poder, seriam implementar novas políticas e regulações nos setores de imprensa, justiça, legislativo e economia. Sem contar que "o PT não roubava nem deixava roubar" (José Dirceu), uma bravata totalmente desligada da realidade do exercício do poder.
A mudança do marco regulatório da imprensa foi abandonada. O governo Lula aumentou os gastos com publicidade triplicando o número de veículos beneficiados, mas não mexeu uma linha no marco regulatório, ou seja, saindo o governo petista haverá cortes de verbas em vários veículos, principalmente os que atualmente são considerados "chapa branca".
No setor de justiça se chegou a tentar mudanças com Márcio Thomaz Bastos e Paulo Lacerda, mas elas foram estranhamente abortadas, quando do episódio das investigações Satiagraha e Castelo de Areia devido pressões de Gilmar Mendes e os factóides plantados pela imprensa (Veja à frente). Aliás ali houve uma clara inflexão no eixo de poder, algo que nunca foi explicado por Lula ou pelo PT. Lacerda foi retirado, o grampo sem áudio ficou valendo, Gilmar Mendes, Demóstenes Torres (o impoluto), Cachoeira, Dantas e a revista Veja, se refastelaram, e do lado do PT nem um pio. Como consequência, até onde me informei, a anulação da Satiagraha e da Castelo de Areia nos tribunais superiores, produziu intensa revolta entre juízes de primeira instância, MPF e PF.
Na frente legislativa, chegou-se a propor timidamente uma reforma política. Mas tudo foi feito meio sem negociação, e para dizer o mínimo... Vontade. Aparentemente a direção do PT apoiou a reforma timidamente e ficou esperando o que os outros iam pensar... Até onde me lembro, foi a primeira derrota do governo Lula no Congresso.
Tudo muito "pragmático", "republicano" e... Acomodado...
No petróleo adotou-se a política de partilha, concordo com ela. Mas a Petrobras, nossa maior indutora de desenvolvimento, segue sendo uma estatal frágil, pois não se abandonou a política de negociar ações nos EUA e nem se alterou seu marco regulatório. Para privatizá-la basta "queimar" suas ações em bolsa. Na prática ela não é tratada exatamente como uma Estatal estratégica, é uma empresa comum onde o governo possui a maioria das ações... Isso é conceito de governo de esquerda? E se o governo adotou premissas liberais de conduzi-la, porque aumentou o gasto com conteúdo e insumos nacionais dos 15% máximo ditos pelo Lula, para mais de 30% em vários casos prejudicando o lucro da empresa? E usá-la via política de preços dos derivados para a "segurada" na inflação, igualmente prejudicando seu caixa?
Já o escândalo Paulo Roberto Costa e suas consequências foi uma tragédia, mas isso acontece com quem tem o poder. Por incrível que pareça, essa é a parte que menos me preocupa sob o ponto de vista do macro cenário. Ruim e prejudicial ao país é a maneira como a justiça está conduzindo o processo, sem fechar rapidamente os acordos de leniência (só começaram a ser fechados agora em dezembro), e operando a parte penal de maneira lentíssima, visando promover muito mais um espetáculo político midiático do que promovendo a justiça. Paulo Roberto Costa foi mandado embora da Petrobras em 2011 por este governo e no entanto não parece. O governo não consegue se descolar da pecha da corrupção colocada a conta gotas diariamente no Jornal Nacional. A impressão que tenho é que se fosse com o Gilmar Mendes ele já os teria "chamado as falas" e com resultado.
Hoje diante da fraqueza explícita que paralisa o governo Dilma, inclusive o obrigando a tomar iniciativas que durante a campanha dizia que não tomaria, ou seja, mentindo para seus eleitores, o PT sendo demonizado por boa parte da população, pois a ojeriza pregada como um tsunami pela grande imprensa já chegou nas classes baixas, fica a constatação... Deveria ter ousado mais e muito antes, e se fosse para perder, perderia antes e agora o partido já estaria ressurgindo depurado...
Chega a ser constrangedor o que tenho visto na defesa do indefensável. Temos ministros que sabotam com anuência da chefia, que sempre deve ser desculpada, como se fosse vítima. José Cardoso seria um sabotador e a chefe dele vítima.
Um dos últimos episódios emblemáticos é o de Delcídio Amaral (mas poderia ser André Vargas), um câncer velho na política, aceito nos quadros do partido com os já velhos argumentos do pragmatismo. Depois quando foi pego fazendo o que sempre fez, o constrangimento não deve ser colocado como culpa do partido, os "adoradores" de sempre saem divulgando que ele seria um infiltrado do PSDB... É de doer...
Amigas e amigos me perguntam por que ando "passando fogo" no partido e no governo... Faço porque a muito (desde o governo Lula), compreendi que as mudanças radicais que quebrariam 500 anos de coronelismo, autoritarismo e ignorância política a serem implementadas, teriam que ser com muita ousadia e esperteza, inclusive e até mesmo, com o desprendimento do poder. Ficar alardeando a paternidade das políticas compensatórias protagonizadas pelo "esquerdista" Milton Friedman (que são importantes, mas saciada a fome, a gente não quer só comida") e esquecer de todo o resto, vindo de um partido previamente amaldiçoado pela elite da mídia e principalmente pela classe média alta, é pedir para morrer... E o PT está correndo risco de morte (ou pior, apequenamento tornando-o mero coadjuvante) ao não saber encontrar as respostas contra a demonização, a desinformação e a falta de memória popular, enquanto cada vez mais se deforma, cada vez mais adota projeto neoliberal, cada vez mais se corrompe e se torna igual a tudo que combatia... Uma tragédia!
Em minha opinião é preciso bater de frente com esses neopetistas, que tudo desculpam, que não sabem o que são políticas públicas e econômicas de esquerda e os idólatras em geral (esses são os piores). O PT que conheci escutava mais as bases e discutia tudo, coisa que aparentemente não se faz mais, ou se faz de maneira "torta" a tempos. Era um partido muito mais radical tanto sob o aspecto político, quanto o moral. Não almejava o poder a qualquer custo. Eram essas características que o diferenciavam dos outros. Há muito mais a ser dito e eu não tenho medo de apontar as mazelas adquiridas com o poder, ou a atual fraqueza advinda do exrcício dele. Penso que todo o projeto petista, seja de partido, seja de atuação política, seja de governo, tem que ser passado a limpo e rediscutido, sob pena de cada vez mais vermos o partido se transformar numa sombra do que foi (tipo um PDT da vida), ou mesmo determinar sua morte. Creio que ainda há tempo de mudar, inclusive dando um passo atrás em várias práticas, para avançar com mais qualidade rumo ao futuro, até porque, isto que estamos assistindo não pode ser um governo do PT... Ou não deveria ser...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O ódio (singular e absoluto) a LULA II*


*Texto i
Embora seja eleitor frequente do PT, quem me conhece sabe que estou longe de ser “petista de carteirinha”. Sou um grande crítico a muitas coisas da política e economia que aconteceram nos últimos doze anos, apenas creio que como um homem que tem família frente as atuais (e reais) opções eleitorais, estou melhor com o PT. Sempre me norteei pelo pragmatismo de achar que em política nunca há o melhor, e sim o menos ruim.
Porém chega a ser nojento o assédio da grande mídia na tentativa de criminalizar Lula, só por ele ser liderança incontestável, bom de voto e não pertencer ao “mainstream”. E mais ridículo ainda é ver gente de “boa formação”, encampar essa sujeira que coloca em risco a democracia conquistada à duras penas pelo povo brasileiro, pois para criminalizar Lula a qualquer custo, acaba-se misturando tudo e criminaliza-se também a política. Nossos políticos não vêm de Marte para nos oprimir, eles vêm do povo, de famílias, de histórias de vida várias, e são um espelho de nosso tecido social. Muita gente que cospe fogo contra eles, não faria nada melhor caso conseguissem “chegar lá”. Identifico muita frustração de vida introjetada ao ódio aos políticos, as pessoas se esquecem de que eles têm algo que o cidadão comum não tem, e que dá muito trabalho conseguir... Voto.
Quanto a Lula, ele já foi acusado de trair a mulher, de violentar o companheiro de cela, de ser dono no Brasil todo do setor bovino via Friboi, da telefonia (todas essas informações são comprovados HOAX), de fortalecer "ditaduras" latino-americanas, africanas, asiáticas (com exceção de Cuba, todas com presidentes eleitos por voto majoritário), de comprar avião para si, de “querer” um terceiro mandato, de se curar do câncer em hospital particular (sim, uma acusação) que tem convênio com várias firmas, de assassinar passageiros de dois aviões, de matar o Toninho de Campinas, e o Celso Daniel, de colocar escutas no STF (segundo Gilmar Mendes e sem prova), de dar o título um título carnavalesco à Vila Isabel; já foi acusado de dançar festa junina, de beber vinho caro, de torcer pelo Corinthians, de comer buchada de bode, de ter amputado o próprio dedo para receber pensão, de ter a voz rouca, de ajudar o filho a fechar contrato com uma empresa PRIVADA, e ele com esse dinheiro comprou a fazenda Paraíso cuja foto é igualzinha à da Escola Superior de Agricultura de Piracicaba), de ter fortuna declarada nas páginas da Forbes (no caso dessas últimas duas “acusações”, quando vejo gente com PHD dizer que acredita nelas, só posso creditar esse fenômeno a pura cegueira do ódio de classe).
Lula também já esteve por trás do relatório do CPI do Cachoeira, tentou adiar o julgamento do "mensalão" (segundo Gilmar Mendes de novo), já produziu provas para se vingar de Perillo (porque ele teria sido o primeiro a avisá-lo do mensalão). Acusaram-no de ter um caso com a mulher presa numa operação da PF, e ao serem confrontados com a realidade que as tais ligações telefônicas para ela nunca existiram, surgiram as “acusações” do réu Marcos Valério (que nada declarou a respeito do caixa dois do PSDB). A Petrobras dá um escândalo e uma CPI a cada quatro anos, e sempre muito pouco do que é dito fica comprovado, mas o importante é derrubar quem lá trabalha e culpar... Lula!
Só falta acusarem Lula de subornar Deus para que terminasse a obra no domingo. Nos meus anos de vida, já vi falarem mal e serem injustos com muitos políticos, mas Lula é um ogro esquisito, pois ninguém nunca diz de onde vem o poder, a sustentação de fato para alguém fazer tantos males feitos e não ser obstaculizado. Até com os mais “queridos” a grande mídia comete injustiças, mas nunca vi em toda a minha vida (no passado já houve isto) um ataque tão vil, tão desonesto, tão odioso, quanto o que dirigem a Lula, e isto se dá porque sabem que não o vencem no voto.
Não vejo uma imprensa vigilante do governo ou da democracia, vejo uma imprensa atuando como partido político (alguém lembra das palavras da Maria Judith Brito*). Hoje percebo que a grande imprensa não produz uma agulha, mas enche o saco de quem trabalha. A meia dúzia de famílias que controla a grande imprensa falada e escrita neste país, repete o que já fizeram com Getúlio, com JK, com Jango, e com Collor (e esse, eles mesmos ajudaram a colocar lá). O que repetem? A disseminação do ódio em prol de um projeto de poder... Ódio de classe, ódio de frustrados, ódio que faz mal ao povo e a democracia, para embasar um projeto de poder político e econômico de gente que sai nos jornais como paladinos do “bom comportamento cívico”.
E o pior é ver gente oriunda das classes médias (da baixa a alta), supostamente com boa formação escolar e familiar, que deveria colocar um pouco de sanidade na discussão, ajudando a alimentar o ódio, por pura frustração vivencial transbordada em frustração política eleitoral alimentada pela grande mídia. Sempre auto indulgentes, acham que fazem muito, acreditam que “os outros”, sejam Lula ou “os políticos” (no genérico), ou a estrela que fala alguma bobagem, são o inimigo, o que os impede de crescer, mas não veem que sempre são os que mais tem, os que mais se queixam, os que mais nos rebaixam com seu viralatismo existencial. Isto ainda se voltará contra a democracia, contra o Brasil, contra eles próprios em particular, e contra os brasileiros em geral, é claro. O ódio está entranhado em muita gente, uma pena!
Prevejo uma eleição muito tensa, e talvez desastrosa para a política no Brasil. As consequências disto na vida socioeconômica do trabalhador, das pessoas comuns, muitas das quais que se juntam acriticamente ao efeito manada dessa péssima e injusta crítica política, podem ser terríveis.
Sérgio Troncoso.
*Maria Judith Brito presidente da ANJ disse que a oposição estava fragilizada e a imprensa tinha que tomar o papel da oposição. Ou seja, assumiu que jornal (ao menos no Brasil) não tem que informar nada, tem que entrar no jogo político e fazer oposição.nspirado em um anterior produzido pelo colega Weden.

Essa discussão é muito importante:


Essa discussão é muito importante:


Por Stanley Burburinho: "Quando te disserem que a carga tributária do Brasil é uma das maiores do mundo: É MENTIRA!

Dados da carga tributária de 183 países relativa a 2010. Muita gente precisa ver isto, principalmente os políticos da oposição e comentaristas econômicos da velha mídia.

A primeira tabela mostra a carga de impostos com relação ao Produto Interno Bruto (PIB), com dados da organização conservadora The Heritage Foundation LINK: http://www.heritage.org/ ). O Brasil ficou no 31º lugar em carga tributária. Existem 30 países com carga tributária maior que a do Brasil. Destes, 27 são países de grande desenvolvimento humano, europeus em geral.


Aí, confrontada com a realidade, a velha mídia vai dizer: "Ah, mas a população não vê o resultados dos impostos recolhidos". Para este tipo de mentalidade, preparei a segunda tabela, com os países ordenados pela arrecadação per capita. O Brasil está em 52º lugar em arrecadação per capita, recolhendo 5 vezes menos que os países desenvolvidos.

Querem nível de vida escandinavo com arrecadação de emergente?

Aí vão dizer: "A situação estaria bem melhor se não fosse a corrupção!". Será? Um estudo da Fundação Getúlio Vargas mostrou que a corrupção impacta 2% (dois por cento) de nosso PIB. Na década, o TCU apanhou 7 bilhões de reais por ano em corrupção, mas a sonegação fiscal anual atinge 200 bilhões de reais, segundo pesquisa de um instituto de estudos tributários. Por que o movimento "Cansei 2.0" não vai às ruas contra a sonegação, que é 28 vezes pior que a corrupção? Espero que se indignem 28 vezes mais..."

Baixe a planilha da carga tributária mundial em 2010: https://docs.google.com/spreadsheet/ccc?key=0AuERPic3WeZGdHdfcXA3M0pkQW4yd3VTS0NVc2FPRkE&hl=pt_BR

http://contextolivre.blogspot.com.br/2011/09/brasil-em-31-no-ranking-da-carga.html

sábado, 2 de julho de 2011

Leandro Fortes: No aniversário de FHC, Nelson Jobim joga seu cargo no ventilador

por Leandro Fortes, em CartaCapital

Isolado dentro do Ministério da Defesa desde a chegada do ex-deputado petista José Genoíno, o ministro Nelson Jobim aproveitou um evento tucano – o aniversário de 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – para destilar o fel do ressentimento. Após entoar o que ele mesmo classificou de “monólogo” pró-FHC, Jobim disse que faria um discurso “cheio de vazios”, mas que o amigo tucano iria entendê-los. Diante de uma platéia hostil ao governo, Jobim chegou a anunciar que estava no cargo, exclusivamente, por vontade de FHC. “Se estou aqui, foi por tua causa”, discursou o ministro, para espanto até dos tucanos presentes. Mesmo no evento, todos sabiam que Jobim foi para o cargo, e se mantém até hoje, por causa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No tal discurso, Nelson Jobim sequer falou no nome da presidenta Dilma Rousseff, com quem mantém uma relação superficial e conflituosa, desde que foi obrigado a voltar atrás e apoiar o projeto de criação da Comissão da Verdade, que irá investigar os crimes cometidos durante a ditadura militar. Em 2009, Jobim chegou a anunciar que iria se demitir, junto com os comandantes militares, caso o texto da terceira edição do Plano Nacional de Direitos Humanos não fosse modificado. Para evitar a crise, Lula retirou do documento o termo “repressão política” para se referir à atuação dos quartéis na tortura, assassinato e desaparecimento forçado de presos políticos.
O motim contra o PNDH-3, contudo, foi a última performance de sucesso de Nelson Jobim, ministro civil afeito a usar uniformes militares quando está junto de generais. No governo Dilma, foi obrigado a engolir a nomeação de José Genoíno como “assessor especial” e perdeu quase todas as atribuições de relevância da pasta, inclusive o controle sobre as operações militares. No caso da Comissão da Verdade, acabou informalmente subordinado a Genoíno e à ministra Maria do Rosário, secretária nacional de Direitos Humanos.
Foi no rastro desses acontecimentos que Jobim se exasperou diante de FHC, de quem foi ministro da Justiça e a quem deve a indicação ao Supremo Tribunal Federal, onde esteve por dois anos. À vontade na festa tucana, o ministro fez coro às críticas da oposição e de parte da mídia ao estilo de Dilma. Como contraponto, rasgou seda para FHC. “Nunca o presidente (FHC) levantou a voz para ninguém. Nunca criou tensionamento entre aqueles que te assessoravam”.  E foi além, ao insinuar que os governos Lula e Dilma demoliram o que ele chamou de “processo político de tolerância, compreensão e criação”, supostamente construído nos tempos do tucanato. “Precisamos ter presente, Fernando, que os tempos mudaram”, faltou a FHC.
O arremate final, quase um pedido público de demissão, foi uma citação do dramaturgo Nelson Rodrigues. “Ele dizia que, no seu tempo, os idiotas chegavam devagar e ficavam quietos. O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia”, afirmou. “E nós temos de ter tolerância e compreensão também com os idiotas, que são exatamente aqueles que escrevem para o esquecimento”. Mais explícito, impossível.
Leandro Fortes é jornalista, professor e escritor, autor dos livros Jornalismo Investigativo, Cayman: o dossiê do medo e Fragmentos da Grande Guerra, entre outros. Mantém um blog chamado Brasília eu Vi. http://brasiliaeuvi.wordpress.com

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O REPÓRTER-TODDYNHO DA FOLHA DE S.PAULO E O CASO DA “CABELEIREIRA DA DILMA”

do Blog Cloaca News
No último dia 10 de novembro, a advogada gaúcha Márcia Westphalen teve sua nomeação para o cargo Especial de Transição Governamental publicada no Diário Oficial da União. Na tarde daquele mesmo dia, Márcia recebe telefonema do repórter Breno Costa, do auto-denominado jornal Folha de S.Paulo. “Ele queria saber se eu havia trabalhado como cabeleireira, pois havia feito uma busca no Google, com meu nome, e encontrou essa informação”. O jornalista quis saber, também, como ela havia sido nomeada e qual seria o seu cargo.
Eis o relato de Márcia Westphalen: “Pacientemente, expliquei que havia trabalhado em um salão durante um período curto, que não chegava a cinco meses, em uma época de crise financeira, mas que aquela nunca foi minha atividade principal. Disse que era formada em Direito pela PUC-RS, que tinha inscrição na OAB, que falava quatro idiomas, e que no período em que trabalhei no salão eu me ocupava mais com produção para desfiles, marcas e modelos do que com atendimento direto a pessoas físicas. Falei que havia trabalhado em diversas empresas, sempre com cargos que envolviam confiança, e que qualquer dos meu ex-empregadores poderia atestar. Contei ainda que havia morado na Inglaterra e na Argentina, sempre trabalhando. Disse que ele estava mal informado, pois no Governo de Transição não havia cargos, somente uma escala de nomeação que vai do número I ao V ou VI, não sabia bem, conforme ele poderia verificar no Diário Oficial, e que trabalharia na função de secretária executiva”.

Márcia Westphalen informou ainda que já havia trabalhado na coordenação de campanha de Dilma Rousseff, no escritório político, e que lá exercia a função de secretária/assistente do coordenador administrativo, e que, por isso, havia sido selecionada para o Governo de Transição. “Ele perguntou como eu havia entrado lá. Contei que foi por análise de currículo. Fui, pedi, fiz entrevista e fui contratada. Assim. Ele falou que só estava verificando, que eu não me preocupasse. Mas eu já tinha sentido a maldade...”

Segue o relato: “Logo depois, começo a telefonar para meus contatos, pois me ocorrera o seguinte: como ele tinha o número do meu celular de Porto Alegre, sendo que eu trabalhava aqui na Transição, que tem Assessoria de Imprensa e tudo?
Descubro que ele havia ligado para o XXXXXX, meu último empregador antes da campanha, uma produtora, fazendo-se passar por amigo meu, dizendo que sentia saudades de mim e pedindo o meu celular. O pessoal de lá, sempre ocupado, diz que não tem em mãos o meu número, mas que passaria o telefone da XXXXXX, que era minha amiga e que o teria, com certeza. Descubro que ele havia telefonado para ela da mesma forma baixa e anônima. E que ele mentira novamente. Falou que morria de saudades de mim, que queria saber como andava minha vida, como eu estava aqui em Brasília, se ainda cortava cabelos... A XXXXX, pessoa de boa-fé, disse que eu estava bem, que não trabalhava mais com cabelos, que estava superfeliz aqui etc. Não sei o que mais ela falou, mas sei que caiu na lábia dele, porque até achou que era algum ex-namorado meu... Quando eu falei para ela que aquele sujeito era um jornalista da Folha de S.Paulo, e que senti a maldade dele, ela queria morrer...”

No dia seguinte, uma nova versão da vida de Márcia Westphalen aparece estampada na Folha de S.Paulo, assinada por…Breno Costa. Em poucas horas, como um rastilho de pólvora, a "notícia" abaixo já está alastrada em emissoras de rádio, portais de internet e blogs limpinhos.


O governo vai pagar mais de R$ 6.800 para uma cabeleireira gaúcha trabalhar como secretária na equipe de transição da presidente eleita Dilma Rousseff.
Márcia Westphalen é uma das 13 pessoas nomeadas ontem para compor o governo de transição de Dilma Rousseff, até a posse da nova presidente.
Até 2009, ela trabalhava como cabeleireira num salão de beleza em Porto Alegre. Manteve até ontem à tarde no ar um blog sobre "cabelos, tendências e dicas de visual". O blog saiu do ar após a Folha entrar em contato com o governo de transição.
No blog, se apresentava dizendo já ter morado em "vários países" e trabalhado "em salões de diversos estilos". Afirmava ainda que, "por ideologia, não faço alisamento, escovas progressivas ou qualquer outro processo agressivo".
Segundo o governo de transição, Westphalen é formada em direito e foi selecionada por análise de currículo pela campanha de Dilma, quando passou a atuar, de acordo com a assessoria, como secretária trilíngue.
À Folha Westphalen informou outra função. Também disse que foi selecionada por análise de currículo, mas que trabalhou na área de "apoio de produção", auxiliando na organização de eventos da campanha de Dilma.
Sobre seu papel no governo de transição, disse que ainda não sabia qual seria sua função, mas negou que fosse trabalhar como cabeleireira.

Para saber quem republicou, acriticamente, a patifaria do desmunhecado funcionário de Otávio Frias Filho, clique aqui, ou aqui, ou aqui, ou aqui.

Para visitar o Talking Hair – novo blog de Márcia Westphalen – e conhecer a repercussão que o episódio teve na chamada imprensa gaúcha, clique aqui.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Divã para livrar o país da síndrome do quepe

Por Maria Inês Nassif, no jornal Valor Econômico

Em situações de grandes conflitos, como no recente período eleitoral, grupos sociais mais conservadores retiram do embornal um discurso que parece ter saído da boca de um general-presidente, com grande espaço para teorias conspiratórias dando conta de perigosas “ameaças comunistas”.
Como o uso do cachimbo normalmente entorta a boca, os movimentos políticos, desde o pré-64, voltam sempre para a lógica segundo a qual um lado sempre deve estar na ofensiva e o outro, na defensiva. A contaminação da oposição pelo velho udenismo trouxe junto o hábito de pedir a tutela dos quartéis, quando seu projeto político não consegue se viabilizar pelo voto. Mas uma das coisas que alimenta a recaída permanente da elite brasileira ao conservadorismo – e ao militarismo – é o outro lado. O velho PSD, de Tancredo Neves, também permanece como padrão de comportamento político: a recusa a qualquer tipo de confronto, em especial quando pode resvalar na área militar. Os dois lados se alimentam de um consenso forjado sabe-se lá onde, de que a direita tem legitimidade para levar o confronto ao limite, enquanto, do centro à esquerda, os atores políticos tornam-se irresponsáveis se não estiverem sempre conciliando.
As Forças Armadas são peça central nas situações de confronto: não só assimilam apelos de tutela da democracia, como são a instituição que avaliza as pressões de um grupo minoritário – de direita – sobre o resto da sociedade. A lembrança do passado só vem à cena política quando serve a esse jogo de pressão.
O Ministério da Defesa, concebido teoricamente para submeter o poder militar às instituições democráticas, nem bem nasceu e parece estar contaminado pela visão udenista das Forças Armadas, que requer sempre uma ação pessedista, de conciliação, para evitar o pior. O ministro Nelson Jobim, que o governo Lula considera ter desempenhado um papel importante na consolidação do Ministério da Defesa, é tido como um ponto de equilíbrio não por ter assumido o comando das armas, mas por ter exercido um papel de mediador das pressões militares junto a um governo civil de esquerda.
O vazamento de documentos relativos ao ministro, pelo Wikileaks, trouxe à luz provas de que as forças militares continuam um capítulo à parte na história da democracia brasileira – e isso, mesmo quando o seu chefe é civil. Um ministro da Defesa que foi mantido e se fortaleceu nas brigas que comprou dentro do governo, com colegas mais comprometidos com visões não-conservadoras sobre os Direitos Humanos e sobre a forma de lidar com o passado autoritário do país, expôs as suas divergências com o Ministério das Relações Exteriores a ninguém menos que o embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Gentilmente, cedeu ao embaixador a informação, dada confidencialmente pelo seu chefe, o presidente da República, sobre o estado de saúde do presidente da Bolívia, Evo Morales. As inconfidências ganham os jornais dias depois de Jobim ter sido confirmado, na mesma pasta, para o próximo governo. Continua ministro de Lula e será o ministro de Dilma Rousseff.

O governo Dilma acena para a manutenção de uma situação em que o Ministério da Defesa – e portanto as Forças Armadas – não se integra a um governo legitimamente eleito, mas se mantém no governo com altíssimo grau de autonomia, graças a ondas de pânico criadas por grupos de direita. Paga o mico das inconfidências de “um ministro da Defesa invulgarmente ativo”, segundo definição do próprio Sobel em um de seus telegramas.
A falta de reação a ofensivas da direita tem seu preço. As Forças Armadas são um terreno fértil à pregação conservadora e a absorve com rapidez e clareza. Não deve ser à-toa que, depois de um processo eleitoral particularmente radicalizado – onde prevaleceu a lógica do udenismo que confronta e apela aos quartéis e do pessedismo que concilia – que a turma que se forma este ano na Academia Militar de Agulhas Negras (Aman) tenha se batizado com o nome do general Emílio Garrastazu Médici, presidente militar do período mais sangrento da ditadura.
Os militares se retiraram para os quartéis, mas é evidente que continuaram reproduzindo internamente uma ideologia altamente conservadora, que não afasta o papel de tutela sobre a sociedade civil. Isso aconteceu porque não houve uma contra-ofensiva capaz de colocar outra visão sobre o papel dos militares na sociedade e fazê-la dominante. A discussão do aprimoramento da democracia deve passar por uma profunda revisão do papel das Forças Armadas e por uma integração, de fato, da instituição nos esforços democráticos da sociedade.
A propósito: as consultas sobre os processos contra os adversários políticos da ditadura instruídos pela Justiça Militar podem ser consultados na Unicamp, que recebeu todos os arquivos reunidos pelo grupo Tortura Nunca Mais, abrigado na Arquidiocese de São Paulo, durante a ditadura. O grupo copiou os processos na Justiça Militar e, com base neles, fez um importante trabalho de denúncia de torturas e assassinatos de opositores políticos do regime. O trabalho final do grupo assume como legítima a ideia de que as denúncias de tortura por parte dos presos políticos, feitas no período à Justiça Militar, tornam sem valor as informações obtidas por esses meios. Para saber o que fizeram os presos políticos para se tornarem presos políticos, é mais garantido que se pergunte isso a eles hoje. Na democracia e em liberdade.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Transparência SP: PIB paulista perde mais de R$ 128 bilhões

Transparência SP: PIB paulista perde mais de R$ 128 bilhões

segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Falta de política de desenvolvimento no Estado provoca lenta decadência do PIB de São Paulo. Minas e Nordeste ganham espaço na economia brasileira nos últimos 13 anos.
do Transparência SP
Em 1995, a economia paulista representava 37,3% da economia brasileira. Em 2002, 34,6% e em 2008 caiu para 33,1%. Estes dados podem ser obtidos através do levantamento da evolução do PIB (Produto Interno Bruto) Estadual feito pelo IBGE.
Em outros termos, a perda de São Paulo chegou a R$ 128 bilhões, um orçamento público paulista anual inteiro. A perda foi generalizada, atingindo todos os setores econômicos: na indústria (-10,6%), no setor de serviços (-2,2%), na administração pública (-1,8%) e na agropecuária (-2,5%).
A razão dessa perda tem raízes no processo de desconcentração da indústria e na guerra fiscal dos Estados, mas também na falta de um projeto de desenvolvimento para o Estado de São Paulo, um projeto que buscasse potencializar as vocações das diferentes regiões. Durante esse período, os governos que comandaram o Estado de São Paulo implantaram uma política de orientação neoliberal. Inimigos do desenvolvimento econômico e social, privatizaram um patrimônio público de mais de R$ 80 bilhões.
Diversos são os exemplos da ausência de uma política desenvolvimentista para o Estado. Um deles: com as privatizações, boa parte dos lucros das empresas vendidas foi enviado para as respectivas matrizes, deixando de  ser reaplicado no Estado.
Mais ainda, empresas privatizadas têm significado mais desemprego e maior precarização do trabalho, sobretudo através das terceirizações.Com a privatização e venda de instituições públicas financeiras, o Estado de São Paulo também vem enterrando qualquer política de planejamento e financiamento de longo prazo do desenvolvimento econômico.
A política de “ajuste fiscal permanente” também reduziu investimentos na infraestrutura de transporte público metropolitano, na habitação, no saneamento, na educação e nas demais áreas sociais, tornando o Estado e suas principais cidades menos atrativos.
A ampliação da antecipação (substituição) tributária do ICMS e a multiplicação de pedágios, os mais caros do país, têm ampliado o custo paulista e a carga tributária bruta estadual, desestimulando investimentos no Estado.
A falta de uma política de desenvolvimento que busque articular de forma massiva as diversas instituições públicas de ensino e pesquisa e as iniciativas privadas de inovação produtiva, em todos os segmentos, vem representando um grande disperdício para o enorme potencial de desenvolvimento do Estado.
A extrema concentração das oportunidade de emprego na capital e num raio de 100 km de distância, sem que o poder público estadual incentive a desconcentração do desenvolvimento, têm levado a “soluções de mercado” por parte das empresas, que abandonam a Região Metropolitana de São Paulo em busca de outras regiões, normalmente em outros Estados.
O sul de Minas, o Mato Grosso do Sul e o norte do Paraná têm sido o destino recorrente destas empresas. Uma situação específica reflete esta falta de política para a desconcentração do desenvolvimento econômico do Estado: por que todos os órgãos públicos estaduais, de todos os poderes, estão localizados de forma dispersa na capital paulista?
A queda da participação do PIB paulista mostra, portanto, não apenas o resultado da ação política dos outros Estados – como insiste em lembrar o governo paulista e a mídia -, mas também o custo do “ajuste fiscal permanente” e a consequente inércia dos governantes do Estado de SP.
É bom ressaltar que a queda do PIB reflete, na prática, uma menor atratividade econômica para novos investimentos, menor participação na arrecadação de impostos, nível de vida mais baixo, dificuldades na geração de novos emprego e  dificuldades na expansão dos serviços prestados pelo poder público.
Analisando a evolução do PIB Estadual no Brasil, o Sudeste perdeu R$ 94 bilhões, perda esta que se concentrou em São Paulo. O Rio de Janeiro ampliou sua participação no PIB Nacional, passando de 11,2% em 1995 para 11,3% em 2008 (+ R$ 4 bilhões). Minas Gerais também apresentou elevação expressiva na sua participação no PIB Nacional, passando de 8,6% para 9,3% (+ R$ 20,7 bi). O Espírito Santo passou de 2% para 2,3% (+ R$ 9,5 bi).
O maior ganho em participação na economia nacional é na região Nordeste que cresceu 1,1% e ganhou R$ 32,4 bilhões, com destaque para o Maranhão (+ R$ 11 bilhões) e para a Bahia (+ R$ 8 bilhões).
Em seguida, vem a região Norte, com ganhos de R$ 26,7 bilhões, em especial os estados do Pará (+ R$ 10,9 bilhões) e Amazonas (+ R$ 3,55 bilhões).
O Centro Oeste ganhou R$ 24 bilhões, sendo que este crescimento foi “puxado” pelo Mato Grosso (+ R$ 21,57 bilhões) e Goiás (+ R$ 13,1 bilhões). A região Sul apresentou elevação de R$ 10,9 bilhões, com destaque para Paraná (+ R$ 6,57 bilhões) e Santa Catarina (+ 19,2 bilhões).
Além de São Paulo, outros dois Estados tiveram queda significativa na participação no PIB Nacional: Rio Grande do Sul (- R$ 14,8 bilhões) e o Distrito Federal (- R$ 16,2 bilhões).